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Carrinho

Storytelling

Sem inspiração não há ação

Acabo de chegar hoje ao Reino Unido depois de quinze dias no Brasil. Fascina-me essas «tours» pelo que denomino ‘a minha geografia linguística’. Desta vez, não só na formação de Storytelling, mas nas reuniões e conversas informais, a palavra ‘digital’ foi a que mais ouvi. Os brasileiros imediatamente prestam atenção no momento em que esse termo é mencionado em relação à comunicação; isto é, para persuadir, negociar e vender. Persuasão digital, negociação digital, venda digital (que intitulam ‘marketing digital’). Nesse contexto, necessariamente não significa vender um produto ou serviço, mas vender uma ideia, uma imagem, estabelecer e promover o tão afamado ‘branding’. As redes sociais estão repletas de postulados, afirmações, ditos, provérbios e alguma história. Tudo posto com muito entusiasmo, a grande maioria com a intenção de serem histórias de superação, sucesso e vitórias.

Dois aspetos, porém, salientaram-se na minha observação: onde estavam, perguntava-me, as histórias de fracasso? Porque descrevem postulados, afirmações, ditos, provérbios com ‘histórias’?

Essa última questão até sei porque o fazem, já que os postulados, as afirmações, os ditos, os provérbios e as metáforas em geral são histórias sincopadas, isto é, um curtíssimo resumo, uma história resumida a uma meia dúzia de palavras.

As histórias de fracasso, contudo, que evidentemente faltavam nas conversas, foram as que me preocuparam. Por um lado, porque via a questão cultural, os brasileiros têm uma certa dificuldade em falar de ‘coisas negativas’. Há uma crença que ‘coisa ruim atrai coisa ruim’ e muitos, mesmo no meio da comunicação profissional, coaches, líderes, e tanto outros, acreditam que o sucesso, cada vez mais, depende do apenas pensar positivamente, que é um caminho rápido, fácil, sem dor.

O que faltava, não nos ‘papos’, mas como elementos que, aí sim, poderiam garantir um verdadeiro sucesso, seriam a compreensão de o que é ‘história’ num processo de comunicação eficaz (Storytelling) e como funcionam as histórias no MUNDO REAL.

Quando falamos de ‘histórias’ ficção e fantasia nos vêm à mente. Mas quando usamos ‘histórias’ como um instrumento de comunicação e gestão, se compreendermos o verdadeiro poder de uma história bem utilizada, o que deveria vir à mente seria a palavra ‘contraste’. Contraste, aqui, pode ser um sinónimo de conflito, de ‘morde e assopra’, de dor e alívio, de FRACASSO e sucesso.

O combustível da história é o contraste, o conflito. Aliás, não há história enquanto não se explicitar o conflito. Em suma, se não falar de fracasso, não há um evidenciar o sucesso, e o ‘papo’ fica vazio. O bom utilizador do instrumento Storytelling é o que sabe evidenciar contrastes e evidenciar que, se for o caso, a parte positiva desse conflito seria a mais apetecível. ‘Mas eu vendo no mundo digital?’ pode estar a pensar. É verdade, quem se comunica por meio digital tem a impressão de que é bem mais fácil contar uma história ocultando os momentos de fracasso, as dificuldades naturais da jornada humana neste mundo, embora saibam, como sabemos, que amargar fracassos é um elemento essencial à jornada. O criar um mundo de fantasias em que só o positivo existe é criar um mundo em que a nada se persuade, nada se negocia e nada se vende.

E há outra saída a não ser a crer que, se eu pensar em sucesso apenas, é sucesso que alcançarei e fracassos cessarão de existir? Ledo engano! Ambos, o senhor sucesso e o senhor fracasso, andam por essa vida de braços dados, como aqueles velhos senhores que vejo passeando nos parques paulistas ou lisboetas, muito próximos, conversando baixinho, uma conversa arrastada, muitas vezes sem palavras, outras, num palavreado que nos parece incoerente.

Claro, quem gosta de expor erros. Ainda mais no ambiente de trabalho!

A cultura do ‘positivo somente’ está a corroer carreiras, mas, sobretudo, a corroer corações, mentes. O que deveria levar à felicidade leva à ansiedade e, inevitavelmente, o fim da ‘história’ será o temido fracasso.

  • Há como mudar isso?
  • Há!

Primeiro passo

Aprender a apreciar histórias. Quanto mais souber como funcionam as histórias, as suas estruturas subjacentes, as razões pelas quais elas são tão poderosas, mais instrumentalizado estará para enfrentar a jornada da Vida – do pessoal ao profissional – e, por meio do contraste, distinguir o lé do cré e ESCOLHER o caminho adequado ao SEU sucesso. Sim! Sucesso é algo pessoal e intransferível. Como digo no Brasil, sucesso é como bunda, cada um tem a sua.

 

Segundo passo

Descobrir o que são verdadeiramente ‘histórias’ e porque fala-se tanto em histórias como instrumentos de comunicação, entender que os postulados, as afirmações, os ditos, os provérbios e as metáforas em geral, embora sejam histórias sincopadas, tem uma força diferente da força das histórias explícitas e completas. Uma frase simples possui um poder gigantesco, uma profundidade que nos toca a alma, um impacto que nos arrasta para fora de nós mesmos, mas esse poder só ocorre dentro de um contexto de histórias maiores, pois somente essas criam contexto. O ditado brasileiro que acabei de citar ‘sucesso é como bunda, cada um tem a sua’, fora do contexto de uma história maior, seria chulo, grosseiro, quiçá desnecessário. Só o ditado, seria como acender a luz. A história completa seria como de disséssemos ‘no cómodo iluminado para que lado vais, com base no que vês’. As histórias nos localizam no universo, esse é o poder do Storytelling!

Terceiro passo

Celebrar o facto de que todas as histórias têm uma estrutura idêntica. Daí, umas não serem mais assustadoras do que outras. O conflito, o ‘morde e assopra’, o caminho da dor ao alívio, do FRACASSO ao sucesso são lados da mesma moeda.

Quando se descobre que não é o fugir ao fracasso que irá levar ao sucesso, mas que o segredo está em nos instrumentalizarmos para celebrar a beleza natural do fracasso e compreender que erros, equívocos, quedas não nos definem; nem fama, nem acertos, nem sucesso cego. O Storytelling fornece essa compreensão, essa perceção da totalidade dos factos. Errar não é o fim do mundo! Quando sabemos como funcionam as histórias e somos capazes de trabalhá-las a nosso favor, perdemos o medo de tentar e errar torna-se o princípio do mundo.

Só erramos uma vez na vida, quando achamos que nunca mais vamos estar errados. Fracassamos quando acharmos que tudo será sucesso. Como dizia a minha avó, nascida em 1886, ‘a vida é uma jornada, sem tirar nem pôr’. Bem verdade. Bem-sucedidos serão os que se instrumentalizarem para vencer a batalha da vida, os que não são cegos aos contrastes, os que não os temem. O Storytelling têm sido esse instrumento não só para empresas ou para vendas por meio do marketing ‘digital’, que entusiasmam os meus amigos d’além-mar, mas para todos nós como pessoas, independente da nossa profissão, dos nossos interesses. Quando nas minhas formações conto com participantes que querem apenas saber mais sobre a vida, escrever um livro, melhorar os seus guiões de venda, adquirir técnicas que poderão incrementar um curso de formação, gerir um departamento ou gerir um empresa digo-lhes que tudo se resume na seguintes palavras: mude a sua história, mude a sua vida. Mas esse postulado não pode, como mencionei, vir sozinho. Deve vir acompanhado de uma história completa. O como criar uma história completa que tenha um impacto real tem sido a missão da minha vida. Só e apenas as histórias inspiram e, sem inspiração, não há ação. Sem ação não haverá sucesso, digital ou outro. Sem histórias não haverá factos, ficção ou fantasia. Sem histórias não haverá nada, pois não haverá jornada.

James McSill

Consultor Internacional em Storytelling

Formador na Certificação Internacional em Storytelling

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